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menteconspiradora

O que nos vai na Alma


A fria ventania invernil, gelava a sua face, os seus rápidos passos era o único som que se ouvia, ecoavam pelas ruas num som seco, mas mesmo esses não abafavam o ecoar continuo do que ele lhe dissera naquele dia, a sua cabeça latejava em respostas que lhe devia ter dado, mas todas eram demasiado severas, ríspidas e de cabeça quente, a única verdadeira resposta que ela lhe queria dar, fora a única que não saíra no momento certo, “Eu amo-te! A ti e a mais ninguém, eu há muito que to quero dizer mas as palavras não saem.”, sim era isso que lhe devia ter dito, e não dar-lhe um estalo, a sua mão estava ainda quente do mesmo e o que ele dissera deixara-a raivosa, mas o que ele dissera devia ter sido desculpado, ela se tivesse aberto o seu coração antes as coisas nunca teriam chegado aquele ponto, mas chegaram e os ciúmes dele deram-lhe que fazer, deixara-a de tal forma chateada com isso que esteve quase para voltar a trás e espetar-lhe um beijo, o primeiro que trocavam, o único realmente merecido, talvez fosse esse simples movimento para muitos que o fazem várias vezes ao dia, que teria evitado toda aquela situação, mas se ela gosta dele e sabe que ele gosta dela, para quê estar com meandros para lhe dizer o que sente? Para quê adiar um decisão que só faz as coisas complicarem-se e até um dia fazer com a situação boa e favorável em que vivem vire apenas pó ao vento, “Devia era de pegar no telefone e dizer-lhe que o amo, devia de lhe pedir desculpas!”, “Amanhã, amanhã dir-lhe-ei o que sinto por ele!”, “Não, melhor ainda, amanhã em vez de lhe dar um sorriso de bom dia, dou-lhe um beijo, ele já o merece!”.


O frio parecia nem o incomodar, a sua alma estava ainda mais gelada que o tempo, caminhava pela rua ao mais lento passo que conseguia, estava ainda a pensar no que lhe dissera, a sua ciumeira podia muito bem deitar tudo a perder, “Se ela sabe que a amo!”, “E se eu suspeito que ela me ame a mim também, para quê estes jogos?”, a sua mente latejava de ideias, convulsionavasse em palavras que deviam ter sido ditas, mas ficara sem palavras depois daquele estalo, essa parte da face era a única coisa quente no seu corpo, talvez fosse a única parte viva neste momento, “Porra, porque lhe fora eu dizer aquilo?”, “Gostas de outro não é?”, “Mas em que é que eu estava a pensar?”, raio de demónio verde que nos afunda a alma e leva certas pessoas há mais estranha forma de loucura, se o amor nos endoidece a falta dele nos destroi e torna-nos numa massa de sentimentos recalcados e frios, dói-lhe a alma, sente-a fria, moribunda, cadavérica, corroída, o rio dos mortos já a chama ao longe, se havia coisa que a agarra-se há terra era a esperança, se a coisa que o desprende da vida é a falta dela, parece que até a esperança fugiu da caixa da Pandora, até essa nos abandona, “Vou-lhe ligar, tenho de lhe pedir desculpas, não posso deixar que isto fique assim, olha o 90, se correr ainda o apanho e chego há Praça do Comercio primeiro, talvez ainda lho consiga dizer, olhando-a nos olhos, eu amo-te, é por isso que ás vezes sou tão parvo!”

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