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menteconspiradora

Solidão

Há muito que o solitário Jorge fazia o caminho do trabalho para casa, atravessando o jardim, demorava sempre mais uma a duas horas, mas era esse passeio que o deixava pôr os pensamentos em dia.
Jorge era um homem solitário, apesar de estar quase nos trinta não achava que tinha de se apressar a arranjar família, acredita no amor e isso é a sua maldição, maldição essa que o faz ainda deambular sozinho pelo jardim, percorre os estreitos caminhos rodeados de árvores, o único som é o das folhas secas que se enrolam nos seus pés e que são esmagadas pelos seus passos lentos.
A tarde está fria, o ar gelado invade os seus pulmões num abraço que lhe gela até a alma, a ponta do nariz está congelada, mas mesmo assim persegue o seu caminho lento, pisando folhas, se alguém o olhar de longe dirá que um doido anda lá fora ao frio, passeando sozinho pelo jardim de cabeça bem levantada de forma a ter os olhos colocados no céu, talvez esteja a pedir um desejo ás estrelas, talvez esteja apenas a pensar porque será que um bom rapaz como ele caminha solitário pelo jardim, ao frio, de mãos nos bolsos, olhos colocados no céu, em vez de estar em casa ao lado da sua esposa e a brincar com os seus filhos, como qualquer pessoa normal com quase trinta anos costuma fazer depois de sair do trabalho.
Mas este Jorge não é normal, está é amaldiçoado, porque acredita no amor, deseja ser amado, mas apenas por quem ele ama e por isso caminha sozinho por entre as folhas caídas da árvores neste principio de inverno, com o frio como cobertor, num abraço gelado que lhe congela a alma e o deixa pensativo de olhos nas estrelas há espera de uma que brilhe mais que as outras, talvez quem sabe para lhe pedir que a sua amada o ame tanto a ele como ele o ama a ela.

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